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Classificação AO/OTA das fraturas: o guia do sistema alfanumérico

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Sistemas universais · Leitura de 8 min

Por que a classificação AO existe

A classificação AO/OTA (Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen / Orthopaedic Trauma Association) é o sistema universal de classificação das fraturas. Sua grande virtude é transformar qualquer fratura de osso longo em um código alfanumérico reproduzível, que comunica localização, morfologia e gravidade — e, com isso, orienta prognóstico, pesquisa e decisão terapêutica.

Diferentemente das classificações epônimas (Rockwood, Gartland, Garden, Schatzker…), que são específicas de uma região, a AO cobre todo o esqueleto com uma única lógica.

A anatomia do código

O código AO tem a estrutura Osso – Segmento – Tipo – Grupo. Exemplo: 32-A3 = fêmur (3), diáfise (2), fratura simples (A), transversa (3).

1º dígito — o osso

NúmeroOsso
1Úmero
2Rádio e ulna
3Fêmur
4Tíbia e fíbula
5Coluna vertebral
6Pelve e acetábulo
7Mão
8

2º dígito — o segmento

Regra do quadrado: o segmento proximal ou distal é definido por um quadrado cujo lado tem o mesmo comprimento da parte mais larga da epífise (regra de Heim). A fratura é classificada pelo segmento em que está o seu centro.

Tipos A, B e C

Nas diáfises, a letra descreve o contato entre os fragmentos principais:

Nas extremidades, a letra descreve o envolvimento articular:

A Simples B Cunha C Multifragmentar
Figura 1 — Esquema dos tipos A (simples), B (cunha) e C (multifragmentar) nas fraturas diafisárias.

Grupos 1, 2 e 3

Cada tipo é subdividido em três grupos, em ordem crescente de energia/complexidade. Na diáfise (ex.: 32 — diáfise do fêmur):

Grupo 1Grupo 2Grupo 3
A (simples)EspiralOblíqua (≥ 30°)Transversa (< 30°)
B (cunha)Cunha intacta (espiral)Cunha de flexão intactaCunha fragmentada
C (complexa)Espiral multifragmentarSegmentarIrregular (cominutiva)

Exemplos práticos

Atenção: a revisão AO/OTA 2018 refinou subgrupos e universalizou qualificadores (ex.: 31-A, 31-B, 31-C para o fêmur proximal). Ao publicar trabalhos científicos, cite a versão utilizada — JOT 2018 Compendium.

Pontos-chave para a prova e para o plantão

Referências

  1. Meinberg EG, Agel J, Roberts CS, et al. Fracture and Dislocation Classification Compendium — 2018. J Orthop Trauma. 2018;32(Suppl 1).
  2. Buckley RE, Moran CG, Apivatthakakul T. AO Principles of Fracture Management. 3ª ed. Thieme; 2017.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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