O que é a displasia do desenvolvimento do quadril
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) abrange um espectro que vai da imaturidade acetabular à luxação franca, resultante do desenvolvimento anômalo da relação entre a cabeça femoral e o acetábulo. O reconhecimento precoce é decisivo: o diagnóstico tardio piora muito o prognóstico e a complexidade do tratamento.
No recém-nascido, o rastreamento clínico usa as manobras de Ortolani (reduz um quadril luxado — "clunk" de entrada) e Barlow (luxa um quadril luxável). São fatores de risco: sexo feminino, apresentação pélvica, história familiar, primogenitura e oligoidrâmnio.
Classificação ultrassonográfica de Graf
A classificação de Graf avalia o quadril por ultrassonografia no corte coronal padrão em lactentes < 6 meses, antes da ossificação do núcleo femoral. Baseia-se no ângulo alfa (cobertura óssea do acetábulo; normal ≥ 60°) e no ângulo beta (cobertura cartilaginosa/labral).
| Tipo (Graf) | Ângulo alfa | Interpretação |
|---|---|---|
| I | ≥ 60° | Quadril maduro (normal) |
| IIa / IIb | 50–59° | Imaturo (IIa, < 3 meses) / displásico (IIb, ≥ 3 meses) |
| IIc | 43–49° | Displasia grave, ainda centrado |
| D | 43–49° (beta > 77°) | Quadril descentrando (em subluxação) |
| III | < 43° | Luxado — teto cartilaginoso evertido para cima |
| IV | < 43° | Luxado — labrum interposto/deslocado para baixo |
Classificação radiográfica de Tönnis
Após o surgimento do núcleo de ossificação femoral (~4–6 meses), a radiografia torna-se o método de escolha. A classificação de Tönnis gradua a luxação (I–IV) pela posição do núcleo de ossificação femoral em relação às linhas de Hilgenreiner (horizontal) e de Perkins (vertical) e ao ângulo acetabular: quanto mais lateral e superior o núcleo em relação a esses quadrantes, maior o grau.
Pontos-chave
- DDQ é um espectro (imaturidade → displasia → subluxação → luxação); a detecção precoce é decisiva.
- Graf (US) baseia-se no ângulo alfa (ósseo, normal ≥ 60°) e beta (cartilaginoso), tipos I a IV.
- Tönnis (radiografia) gradua a luxação pelas linhas de Hilgenreiner e Perkins após a ossificação do núcleo.
- US antes de ~4–6 meses; radiografia depois. Tratamento inicial: suspensório de Pavlik.
Referências
- Graf R. Fundamentals of sonographic diagnosis of infant hip dysplasia. Arch Orthop Trauma Surg. 1984;102(4):248-255.
- Tönnis D. Congenital Dysplasia and Dislocation of the Hip in Children and Adults. Springer; 1987.
- Herring JA. Tachdjian's Pediatric Orthopaedics. 6ª ed. Elsevier; 2021.
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