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Displasia do desenvolvimento do quadril: Graf e Tönnis

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Ortopedia pediátrica · Leitura de 6 min

O que é a displasia do desenvolvimento do quadril

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) abrange um espectro que vai da imaturidade acetabular à luxação franca, resultante do desenvolvimento anômalo da relação entre a cabeça femoral e o acetábulo. O reconhecimento precoce é decisivo: o diagnóstico tardio piora muito o prognóstico e a complexidade do tratamento.

No recém-nascido, o rastreamento clínico usa as manobras de Ortolani (reduz um quadril luxado — "clunk" de entrada) e Barlow (luxa um quadril luxável). São fatores de risco: sexo feminino, apresentação pélvica, história familiar, primogenitura e oligoidrâmnio.

Classificação ultrassonográfica de Graf

A classificação de Graf avalia o quadril por ultrassonografia no corte coronal padrão em lactentes < 6 meses, antes da ossificação do núcleo femoral. Baseia-se no ângulo alfa (cobertura óssea do acetábulo; normal ≥ 60°) e no ângulo beta (cobertura cartilaginosa/labral).

Tipo (Graf)Ângulo alfaInterpretação
I≥ 60°Quadril maduro (normal)
IIa / IIb50–59°Imaturo (IIa, < 3 meses) / displásico (IIb, ≥ 3 meses)
IIc43–49°Displasia grave, ainda centrado
D43–49° (beta > 77°)Quadril descentrando (em subluxação)
III< 43°Luxado — teto cartilaginoso evertido para cima
IV< 43°Luxado — labrum interposto/deslocado para baixo
α ≥ 60° I Maduro (normal) α 43–59° II Imaturo / displásico α < 43° III/IV Luxado
Figura 1 — US coronal do quadril: teto ósseo do ílio (bege) e cabeça femoral (azul). O ângulo alfa (teal), formado entre a linha de base e a linha do teto ósseo, diminui do quadril maduro ao luxado, no qual a cabeça se desloca superiormente (vermelho).

Classificação radiográfica de Tönnis

Após o surgimento do núcleo de ossificação femoral (~4–6 meses), a radiografia torna-se o método de escolha. A classificação de Tönnis gradua a luxação (I–IV) pela posição do núcleo de ossificação femoral em relação às linhas de Hilgenreiner (horizontal) e de Perkins (vertical) e ao ângulo acetabular: quanto mais lateral e superior o núcleo em relação a esses quadrantes, maior o grau.

Pérola de método: a ultrassonografia é o exame de escolha antes da ossificação do núcleo femoral (até ~4–6 meses); depois desse período, a radiografia passa a ser o método adequado. O tratamento nos lactentes < 6 meses é o suspensório de Pavlik.
Rastreamento é regra: examine o quadril de todo recém-nascido, com atenção redobrada na presença de fatores de risco (sexo feminino, apresentação pélvica, história familiar). O diagnóstico tardio — após o início da marcha — associa-se a tratamentos mais agressivos e pior prognóstico funcional.

Pontos-chave

Referências

  1. Graf R. Fundamentals of sonographic diagnosis of infant hip dysplasia. Arch Orthop Trauma Surg. 1984;102(4):248-255.
  2. Tönnis D. Congenital Dysplasia and Dislocation of the Hip in Children and Adults. Springer; 1987.
  3. Herring JA. Tachdjian's Pediatric Orthopaedics. 6ª ed. Elsevier; 2021.

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