Medir a gravidade do pé torto congênito
O pé torto congênito (equinovaro) combina quatro componentes: equino, varo do retropé, adução do antepé e cavo (mnemônico CAVE). Para acompanhar a correção — sobretudo pelo método de Ponseti — usam-se escores de gravidade: o de Diméglio e o de Pirani.
Os dois sistemas de pontuação
| Sistema | Como pontua | Faixa |
|---|---|---|
| Diméglio | Redutibilidade de 4 deformidades (equino, varo, adução, rotação do bloco calcâneo-antepé) + 4 pontos por pregas/cavo/tônus | 0–20 (graus I benigno a IV grave) |
| Pirani | 6 sinais clínicos: 3 do retropé (prega posterior, equino, cobertura da cabeça do tálus) e 3 do médiopé (prega medial, curvatura da borda lateral, cabeça do tálus) | 0–6 (cada sinal 0, 0,5 ou 1) |
No método de Ponseti, os escores caem a cada gesso; o escore de Pirani ajuda a decidir o momento da tenotomia do tendão de Aquiles (geralmente com bom escore de médiopé e retropé ainda em equino).
Pérola: os escores são dinâmicos — servem para monitorar a resposta ao
tratamento, não só o diagnóstico inicial. O Pirani, por ser rápido, é muito usado no acompanhamento
ambulatorial do Ponseti.
Armadilha: distinga o pé torto idiopático do
sindrômico/neurogênico (artrogripose, mielomeningocele) — estes são mais rígidos,
pontuam mais alto e recidivam mais. A adesão à órtese de abdução após a correção é o
principal fator contra recidiva.
Pontos-chave
- CAVE: cavo, adução, varo, equino.
- Diméglio (0–20) e Pirani (0–6) quantificam a gravidade e a resposta ao Ponseti.
- O Pirani ajuda a indicar o momento da tenotomia do Aquiles.
- Recidiva relaciona-se à má adesão à órtese de abdução.
Referências
- Diméglio A, Bensahel H, Souchet P, et al. Classification of clubfoot. J Pediatr Orthop B. 1995;4(2):129-136.
- Pirani S, Outerbridge H, Sawatzky B, Stothers K. A method of evaluating the virgin clubfoot. (Pirani score).
- Herring JA. Tachdjian's Pediatric Orthopaedics. 6ª ed. Elsevier; 2021.
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