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Estadiamento de Enneking (MSTS) dos tumores musculoesqueléticos

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Osteometabolismo e tumores · Leitura de 5 min

O sistema de estadiamento de Enneking

O estadiamento de Enneking — adotado pela Musculoskeletal Tumor Society (MSTS) — é o sistema clássico para tumores musculoesqueléticos. Ele orienta a conduta ao integrar o comportamento biológico do tumor com a estratégia cirúrgica, e separa lesões benignas de malignas.

Os tumores benignos usam numerais arábicos (estágios 1, 2, 3, conforme a agressividade). Os tumores malignos usam algarismos romanos e combinam três variáveis: grau histológico (G), sítio anatômico (T) e presença de metástase (M).

Estadiamento dos tumores malignos

Variáveis: G1 baixo grau, G2 alto grau; T1 intracompartimental (contido), T2 extracompartimental (ultrapassa a barreira anatômica); M0 sem metástase, M1 com metástase.

EstágioGrau (G)Sítio (T)Metástase (M)
IAG1 (baixo)T1 (intracompartimental)M0
IBG1 (baixo)T2 (extracompartimental)M0
IIAG2 (alto)T1 (intracompartimental)M0
IIBG2 (alto)T2 (extracompartimental)M0
IIIQualquer GQualquer TM1 (metástase)

Nos tumores benignos: estágio 1 latente (inativo, ex.: fibroma não ossificante), 2 ativo (crescimento progressivo, ex.: cisto ósseo aneurismático) e 3 agressivo (pode ultrapassar a barreira, ex.: tumor de células gigantes).

T1 Intracompartimental (contido pela cortical) T2 Extracompartimental (rompe a cortical → partes moles)
Figura 1 — À esquerda, tumor (vermelho) contido pela cortical (T1, intracompartimental). À direita, tumor que rompe a cortical e invade as partes moles/compartimento vizinho (T2, extracompartimental). Envelope compartimental em teal.
Margens cirúrgicas de Enneking: intralesional (através do tumor), marginal (pela pseudocápsula/zona reativa), ampla (margem de tecido normal ao redor, dentro do compartimento) e radical (todo o compartimento acometido). A pérola é que o estadiamento define a margem cirúrgica-alvo — o grau e a extensão ditam quão ampla precisa ser a ressecção.
A biópsia é um ato cirúrgico crítico. A biópsia de tumor musculoesquelético deve ser realizada no centro que fará o tratamento definitivo. Uma biópsia mal planejada (trajeto inadequado, contaminação de compartimentos, hematoma) pode inviabilizar a cirurgia de preservação do membro e transformar um caso ressecável em amputação.

Pontos-chave

Referências

  1. Enneking WF, Spanier SS, Goodman MA. A system for the surgical staging of musculoskeletal sarcoma. Clin Orthop Relat Res. 1980;(153):106-120.
  2. Enneking WF. A system of staging musculoskeletal neoplasms. Clin Orthop Relat Res. 1986;(204):9-24.
  3. Azar FM, Beaty JH, Canale ST. Campbell's Operative Orthopaedics. 14ª ed. Elsevier; 2021.

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