Conteúdo técnico-científico destinado a médicos e profissionais de saúde. Não substitui avaliação médica individualizada.

Osteoporose: critérios da OMS e classificação densitométrica

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Osteometabolismo e tumores · Leitura de 8 min

O que é osteoporose

A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade e do risco de fratura. É a doença osteometabólica mais prevalente e a principal causa de fraturas por fragilidade no idoso — quadril, coluna vertebral e rádio distal à frente.

Para o ortopedista, ela tem dupla importância: é a causa de boa parte das fraturas que operamos e é o alvo que precisamos tratar para evitar a próxima fratura.

Classificação densitométrica da OMS (T-score)

O diagnóstico densitométrico é feito por DXA (absorciometria de raios-X de dupla energia) em coluna lombar e fêmur proximal. O parâmetro-chave é o T-score: número de desvios-padrão em relação ao pico de massa óssea do adulto jovem saudável.

CategoriaT-scoreInterpretação
Normal≥ −1,0Massa óssea normal
Osteopenia (baixa massa óssea)entre −1,0 e −2,5Risco intermediário
Osteoporose≤ −2,5Alto risco de fratura
Osteoporose estabelecida (grave)≤ −2,5 + fratura por fragilidadeRisco muito alto
Osteoporose T ≤ −2,5 Osteopenia −2,5 a −1,0 Normal T ≥ −1,0 −2,5 −1,0 T-score (desvios-padrão do pico de massa óssea)
Figura 1 — Régua do T-score segundo os critérios da OMS (aplicável a mulheres na pós-menopausa e homens ≥ 50 anos).
T-score × Z-score: use o T-score em mulheres pós-menopausa e homens ≥ 50 anos. Em mulheres na pré-menopausa, homens < 50 anos e crianças, use o Z-score (comparação com pares da mesma idade e sexo); Z ≤ −2,0 indica "massa óssea abaixo do esperado para a idade" e deve motivar investigação de causas secundárias.

Diagnóstico clínico independe da DXA

Segundo as diretrizes atuais (BHOF/AACE), o diagnóstico de osteoporose também pode ser clínico, independentemente do T-score, na presença de:

Fratura por fragilidade = fratura ocorrida por trauma de baixa energia (queda da própria altura ou menos), que não fraturaria um osso saudável.

Estratificação de risco: FRAX

A ferramenta FRAX (OMS) estima a probabilidade em 10 anos de fratura maior osteoporótica e de fratura de quadril, combinando fatores clínicos (idade, sexo, IMC, fratura prévia, história familiar de fratura de quadril, tabagismo, corticoide, artrite reumatoide, álcool) com ou sem o T-score do colo femoral. É especialmente útil na faixa de osteopenia, para decidir quem tratar.

Fratura por fragilidade = porta de entrada. Todo paciente que fratura por baixa energia após os 50 anos deve entrar em um Fracture Liaison Service (fluxo de investigação e tratamento). O maior preditor de uma nova fratura é ter tido a primeira — e a janela após a fratura é justamente quando mais deixamos de tratar.

Investigação de causas secundárias

Antes de rotular como osteoporose primária, avaliar (especialmente em homens, jovens ou Z-score muito baixo):

Pontos-chave

Referências

  1. World Health Organization. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosis. WHO Technical Report Series 843. Geneva; 1994.
  2. LeBoff MS, Greenspan SL, Insogna KL, et al. The clinician's guide to prevention and treatment of osteoporosis. Osteoporos Int. 2022;33:2049-2102.
  3. Camacho PM, et al. AACE/ACE Clinical Practice Guidelines for postmenopausal osteoporosis — 2020 update. Endocr Pract. 2020;26(Suppl 1):1-46.
  4. Kanis JA, et al. FRAX and its applications. Osteoporos Int.

Leia também em osteometabolismo e tumores

Ver todas as classificações de osteometabolismo e tumores →