O que é osteoporose
A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade e do risco de fratura. É a doença osteometabólica mais prevalente e a principal causa de fraturas por fragilidade no idoso — quadril, coluna vertebral e rádio distal à frente.
Para o ortopedista, ela tem dupla importância: é a causa de boa parte das fraturas que operamos e é o alvo que precisamos tratar para evitar a próxima fratura.
Classificação densitométrica da OMS (T-score)
O diagnóstico densitométrico é feito por DXA (absorciometria de raios-X de dupla energia) em coluna lombar e fêmur proximal. O parâmetro-chave é o T-score: número de desvios-padrão em relação ao pico de massa óssea do adulto jovem saudável.
| Categoria | T-score | Interpretação |
|---|---|---|
| Normal | ≥ −1,0 | Massa óssea normal |
| Osteopenia (baixa massa óssea) | entre −1,0 e −2,5 | Risco intermediário |
| Osteoporose | ≤ −2,5 | Alto risco de fratura |
| Osteoporose estabelecida (grave) | ≤ −2,5 + fratura por fragilidade | Risco muito alto |
Diagnóstico clínico independe da DXA
Segundo as diretrizes atuais (BHOF/AACE), o diagnóstico de osteoporose também pode ser clínico, independentemente do T-score, na presença de:
- Fratura por fragilidade de quadril (praticamente diagnóstica por si só);
- Fratura vertebral por fragilidade confirmada;
- Fratura por fragilidade de úmero proximal, pelve ou rádio distal em paciente com osteopenia.
Fratura por fragilidade = fratura ocorrida por trauma de baixa energia (queda da própria altura ou menos), que não fraturaria um osso saudável.
Estratificação de risco: FRAX
A ferramenta FRAX (OMS) estima a probabilidade em 10 anos de fratura maior osteoporótica e de fratura de quadril, combinando fatores clínicos (idade, sexo, IMC, fratura prévia, história familiar de fratura de quadril, tabagismo, corticoide, artrite reumatoide, álcool) com ou sem o T-score do colo femoral. É especialmente útil na faixa de osteopenia, para decidir quem tratar.
Investigação de causas secundárias
Antes de rotular como osteoporose primária, avaliar (especialmente em homens, jovens ou Z-score muito baixo):
- Cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função renal e hepática;
- 25-OH-vitamina D e PTH;
- TSH (hipertireoidismo), testosterona (homens);
- Eletroforese de proteínas (mieloma), anticorpos de doença celíaca, cortisol quando indicado;
- Marcadores de remodelação óssea (CTX, P1NP) para monitorar tratamento.
Pontos-chave
- Osteoporose densitométrica: T ≤ −2,5 em coluna, colo femoral ou fêmur total.
- Osteopenia não é diagnóstico de osteoporose, mas concentra grande parte das fraturas (população numerosa) — use o FRAX.
- Fratura de fragilidade de quadril ou vértebra fecha diagnóstico clínico independentemente da DXA.
- Sempre reponha vitamina D e cálcio como base, e trate a causa secundária quando houver.
Referências
- World Health Organization. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosis. WHO Technical Report Series 843. Geneva; 1994.
- LeBoff MS, Greenspan SL, Insogna KL, et al. The clinician's guide to prevention and treatment of osteoporosis. Osteoporos Int. 2022;33:2049-2102.
- Camacho PM, et al. AACE/ACE Clinical Practice Guidelines for postmenopausal osteoporosis — 2020 update. Endocr Pract. 2020;26(Suppl 1):1-46.
- Kanis JA, et al. FRAX and its applications. Osteoporos Int.
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