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Classificação AO Spine: trauma toracolombar

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Coluna · Leitura de 6 min

Uma linguagem comum para o trauma toracolombar

A classificação AO Spine para o trauma toracolombar (Vaccaro et al., 2013) organiza as lesões da coluna torácica e lombar em uma hierarquia morfológica de gravidade crescente, complementada por modificadores neurológicos e clínicos. Seu objetivo é oferecer um sistema reproduzível, que comunique de forma padronizada a lesão e apoie a decisão entre tratamento conservador e cirúrgico.

A lógica é simples: o Tipo A reflete falha por compressão do corpo vertebral; o Tipo B, falha de uma banda de tensão (a fratura se abre por distração); e o Tipo C, translação/deslocamento — a lesão mais grave, com perda de relação entre os segmentos.

Os tipos morfológicos

Tipo / subtipoMecanismoDescriçãoGravidade
A0CompressãoFratura clinicamente insignificante (processo transverso ou espinhoso)Mínima
A1CompressãoImpactação de uma placa terminal, sem envolver a parede posteriorBaixa
A2CompressãoFratura em "split"/pinça, envolvendo ambas as placas, sem parede posteriorBaixa-moderada
A3Compressão (burst)Burst incompleta — uma única placa terminal, com envolvimento da parede posteriorModerada
A4Compressão (burst)Burst completa — ambas as placas terminais / corpo em dois planosModerada-alta
B1Distração (banda óssea)Falha transóssea da banda de tensão posterior (fratura de Chance)Alta
B2Distração (banda ligamentar)Ruptura do complexo ligamentar posterior (± lesão óssea anterior)Alta
B3HiperextensãoFalha da banda de tensão anterior (típica em coluna anquilosada)Alta
CTranslaçãoDeslocamento/luxação em qualquer plano — perda de alinhamento entre segmentosMáxima

Modificadores neurológicos (N) e clínicos (M)

Tipo A Compressão do corpo Tipo B Distração (banda de tensão) Tipo C Translação / deslocamento
Figura 1 — Vértebras em perfil: Tipo A (compressão axial do corpo), Tipo B (distração posterior com abertura da banda de tensão) e Tipo C (translação, com deslizamento de um segmento sobre o outro).

O TLICS como ferramenta complementar de decisão

O escore TLICS (Thoracolumbar Injury Classification and Severity Score, Vaccaro et al., 2005) soma pontos de três domínios: morfologia da lesão, integridade do complexo ligamentar posterior (CLP) e status neurológico. A interpretação clássica:

Pérola: a AO Spine descreve a lesão; o TLICS ajuda a decidir a conduta. Usados juntos — morfologia AO + integridade do CLP + status neurológico — dão uma leitura consistente da gravidade e da indicação cirúrgica.
Armadilha: distinguir A3 (burst incompleta) de A4 (burst completa) depende do número de placas terminais/planos do corpo envolvidos — não do grau de cominução aparente. E toda lesão em coluna anquilosada (DISH/espondilite) deve levantar suspeita de fratura tipo B por hiperextensão, mesmo com trauma trivial e radiografia enganosamente "normal".

Pontos-chave

Referências

  1. Vaccaro AR, Oner C, Kepler CK, et al. AOSpine thoracolumbar spine injury classification system: fracture description, neurological status, and key modifiers. Spine (Phila Pa 1976). 2013;38(23):2028-2037.
  2. Vaccaro AR, Lehman RA Jr, Hurlbert RJ, et al. A new classification of thoracolumbar injuries: the importance of injury morphology, the integrity of the posterior ligamentous complex, and neurologic status (TLICS). Spine (Phila Pa 1976). 2005;30(20):2325-2333.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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