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Classificação de Anderson e D'Alonzo: fratura do odontoide

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Coluna · Leitura de 5 min

A fratura do dente do áxis

A fratura do processo odontoide (o "dente" do áxis, C2) está entre as fraturas mais comuns da coluna cervical, sobretudo no idoso após queda da própria altura. A classificação de Anderson e D'Alonzo (1974) divide a lesão em três tipos conforme o nível do traço de fratura, e essa localização determina diretamente a estabilidade, o risco de pseudartrose e a conduta.

A relevância clínica está no Tipo II: por ocorrer na junção do dente com o corpo de C2 — região de pequena área de contato e suprimento sanguíneo pobre — é o de maior risco de não-união (pseudartrose).

Os três tipos de Anderson e D'Alonzo

TipoLocalização do traçoCaracterísticaConduta habitual
I Ápice do odontoide Avulsão do ligamento alar; raro; em geral estável — atenção à instabilidade occipitocervical associada Órtese cervical; investigar dissociação occipitocervical
II Base / junção do dente com o corpo de C2 O mais comum; alta taxa de pseudartrose (área de contato pequena, vascularização pobre) Individualizada: halo, parafuso odontoide anterior ou artrodese C1-C2 posterior
III Estende-se ao corpo de C2 (osso esponjoso) Boa superfície de contato e vascularização; melhor consolidação Frequentemente conservador: colar rígido ou halo

A modificação de Grauer subdivide o Tipo II conforme a geometria do traço, destacando o subtipo IIA — cominutivo (com fragmentação na base) —, que é particularmente instável e tende a ser encaminhado à fixação cirúrgica em vez do tratamento com halo.

I — ápice II — base III — corpo Áxis (C2) — perfil Três níveis do traço de fratura do odontoide
Figura 1 — Áxis (C2) em perfil. Linha verde-teal: Tipo I (ápice, avulsão do ligamento alar). Linha vermelha cheia: Tipo II (base — maior risco de pseudartrose). Linha vermelha tracejada: Tipo III (estende-se ao corpo esponjoso).

Tipo II: fatores de risco de não-união e opções cirúrgicas

São fatores associados a maior risco de pseudartrose no Tipo II:

As principais opções de fixação são:

Pérola: o Tipo III, por atravessar o corpo esponjoso e ricamente vascularizado de C2, costuma consolidar bem com colar rígido ou halo — o oposto do Tipo II, cuja localização na cintura do dente explica a fragilidade biológica da consolidação.
Armadilha: a fratura Tipo I é rara e "inofensiva" na aparência, mas pode sinalizar instabilidade occipitocervical — investigue a dissociação atlanto-occipital antes de liberar. No idoso, não subestime o Tipo II: o halo tem alta taxa de falência e complicações, e a fixação cirúrgica deve ser considerada precocemente.

Pontos-chave

Referências

  1. Anderson LD, D'Alonzo RT. Fractures of the odontoid process of the axis. J Bone Joint Surg Am. 1974;56(8):1663-1674.
  2. Grauer JN, Shafi B, Hilibrand AS, et al. Proposal of a modified, treatment-oriented classification of odontoid fractures. Spine J. 2005;5(2):123-129.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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