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Fratura do atlas (C1): Jefferson e a regra de Spence

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Coluna · Leitura de 5 min

A fratura do atlas (C1)

O atlas (C1) é um anel ósseo; fraturas isoladas costumam ser estáveis, mas a estabilidade depende da integridade do ligamento transverso, que mantém o odontoide contra o arco anterior. A clássica fratura de Jefferson é a de quatro partes, por carga axial.

Padrões de fratura de C1

PadrãoDescrição
Arco posteriorO mais comum, por hiperextensão — geralmente estável
Arco anteriorIsolado, menos frequente
Massa lateralUnilateral, por carga axial assimétrica
Jefferson (4 partes)Duas fraturas no arco anterior + duas no posterior, por carga axial (também há variantes de 2 e 3 partes)
Jefferson (4 partes) Overhang das massas laterais Regra de Spence: soma > 7 mm = provável ruptura do lig. transverso
Figura 1 — À esquerda, os quatro pontos da fratura de Jefferson (vista axial). À direita, o "overhang" das massas laterais de C1 sobre C2 (regra de Spence).
Regra de Spence: na radiografia transoral (boca aberta), se a soma do deslocamento lateral (overhang) das massas laterais de C1 sobre C2 for > ~7 mm (6,9 mm), há provável ruptura do ligamento transverso — lesão instável. A RM avalia o ligamento diretamente.
Armadilha: até metade das fraturas de C1 têm lesão associada de C2 (odontoide, hangman). Avalie sempre todo o áxis — não pare no atlas.

Pontos-chave

Referências

  1. Spence KF Jr, Decker S, Sell KW. Bursting atlantal fracture associated with rupture of the transverse ligament. J Bone Joint Surg Am. 1970;52(3):543-549.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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