A fratura do atlas (C1)
O atlas (C1) é um anel ósseo; fraturas isoladas costumam ser estáveis, mas a estabilidade depende da integridade do ligamento transverso, que mantém o odontoide contra o arco anterior. A clássica fratura de Jefferson é a de quatro partes, por carga axial.
Padrões de fratura de C1
| Padrão | Descrição |
|---|---|
| Arco posterior | O mais comum, por hiperextensão — geralmente estável |
| Arco anterior | Isolado, menos frequente |
| Massa lateral | Unilateral, por carga axial assimétrica |
| Jefferson (4 partes) | Duas fraturas no arco anterior + duas no posterior, por carga axial (também há variantes de 2 e 3 partes) |
Regra de Spence: na radiografia transoral (boca aberta), se a soma do deslocamento
lateral (overhang) das massas laterais de C1 sobre C2 for > ~7 mm (6,9 mm), há
provável ruptura do ligamento transverso — lesão instável. A RM avalia o ligamento
diretamente.
Armadilha: até metade das fraturas de C1 têm lesão associada de
C2 (odontoide, hangman). Avalie sempre todo o áxis — não pare no atlas.
Pontos-chave
- A estabilidade de C1 depende do ligamento transverso.
- Fratura do arco posterior isolada costuma ser estável; Jefferson por carga axial pode não ser.
- Spence > 7 mm sugere ruptura do transverso → halo ou artrodese C1–C2.
- Procure lesões associadas de C2.
Referências
- Spence KF Jr, Decker S, Sell KW. Bursting atlantal fracture associated with rupture of the transverse ligament. J Bone Joint Surg Am. 1970;52(3):543-549.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
Leia também em coluna
- Classificação AO Spine: trauma toracolombar
- Classificação de Anderson e D'Alonzo: fratura do odontoide
- Conceito das três colunas de Denis: trauma toracolombar
- Classificação AO Spine: coluna cervical subaxial
- Espondilolistese traumática do áxis: Levine-Edwards
- Espondilolistese: Meyerding e Wiltse
- Escala ASIA e Frankel: avaliação neurológica do trauma raquimedular
- Fratura do sacro: classificação de Denis