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Fratura do sacro: classificação de Denis

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Coluna · Leitura de 4 min

A fratura do sacro e o risco neurológico

A classificação de Denis para as fraturas do sacro é simples e clinicamente útil porque a zona anatômica da fratura prediz o risco de lesão neurológica. Baseia-se na relação do traço vertical com os forames sacrais.

As três zonas de Denis

ZonaLocal do traçoRisco neurológico
Zona 1 — AlarLateral aos forames (asa do sacro)Baixo (~6%); quando há, raiz L5
Zona 2 — ForaminalAtravés dos forames sacraisIntermediário (~28%); raízes L5, S1, S2
Zona 3 — CentralMedial aos forames (canal central)Alto (~57%); disfunção vesical/intestinal e sexual

As fraturas transversais com componente central (padrão em "U" ou "H", zona 3) causam dissociação espinopélvica e concentram os déficits de cauda equina.

1 2 3 Zona 1: alar (verde) Zona 2: foraminal (amarelo) Zona 3: central (vermelho)
Figura 1 — As zonas de Denis no sacro: alar (1), foraminal (2) e central (3), com risco neurológico crescente.
Pérola: a fratura do sacro costuma acompanhar lesões do anel pélvico — avalie a estabilidade posterior. Zona 3 e padrões em U/H exigem exame de função vesical, intestinal e do tônus anal.
Armadilha: a fratura do sacro é frequentemente perdida na radiografia simples da pelve. Diante de trauma pélvico, avalie o sacro na TC e valorize sinais sutis (assimetria dos forames, degrau na linha arqueada).

Pontos-chave

Referências

  1. Denis F, Davis S, Comfort T. Sacral fractures: an important problem. Clin Orthop Relat Res. 1988;(227):67-81.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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