A fratura do sacro e o risco neurológico
A classificação de Denis para as fraturas do sacro é simples e clinicamente útil porque a zona anatômica da fratura prediz o risco de lesão neurológica. Baseia-se na relação do traço vertical com os forames sacrais.
As três zonas de Denis
| Zona | Local do traço | Risco neurológico |
|---|---|---|
| Zona 1 — Alar | Lateral aos forames (asa do sacro) | Baixo (~6%); quando há, raiz L5 |
| Zona 2 — Foraminal | Através dos forames sacrais | Intermediário (~28%); raízes L5, S1, S2 |
| Zona 3 — Central | Medial aos forames (canal central) | Alto (~57%); disfunção vesical/intestinal e sexual |
As fraturas transversais com componente central (padrão em "U" ou "H", zona 3) causam dissociação espinopélvica e concentram os déficits de cauda equina.
Pérola: a fratura do sacro costuma acompanhar lesões do anel pélvico —
avalie a estabilidade posterior. Zona 3 e padrões em U/H exigem exame de função vesical,
intestinal e do tônus anal.
Armadilha: a fratura do sacro é frequentemente perdida na radiografia
simples da pelve. Diante de trauma pélvico, avalie o sacro na TC e valorize sinais
sutis (assimetria dos forames, degrau na linha arqueada).
Pontos-chave
- Zona 1 (alar) → risco baixo; zona 2 (foraminal) → intermediário; zona 3 (central) → alto.
- Padrões em U/H = dissociação espinopélvica, com déficit de cauda equina.
- Exame neurológico sacral e TC são essenciais.
Referências
- Denis F, Davis S, Comfort T. Sacral fractures: an important problem. Clin Orthop Relat Res. 1988;(227):67-81.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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