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Classificação de Bado: a fratura-luxação de Monteggia

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 6 min

O que é a fratura-luxação de Monteggia

A lesão de Monteggia é a associação de uma fratura da ulna (classicamente na diáfise) com a luxação da cabeça do rádio. Descrita por Giovanni Monteggia em 1814, sua classificação moderna é a de José Luis Bado (1967), que organiza a lesão segundo a direção da luxação da cabeça do rádio. A regra que amarra tudo é simples e infalível: a direção da luxação da cabeça do rádio acompanha o ápice da angulação da ulna — se a ulna angula com ápice anterior, a cabeça do rádio luxa para anterior, e assim por diante.

Quando existe o mesmo padrão biomecânico sem a luxação franca (por exemplo, fratura isolada do colo do rádio associada a fratura da ulna, ou fratura da olécrano com luxação da cabeça do rádio), fala-se em lesão equivalente de Monteggia, que segue os mesmos princípios de tratamento.

A classificação de Bado

TipoÁpice da ulna / luxação da cabeça do rádioFratura da ulnaObservações
IÁpice e luxação anterioresDiáfise ulnar, angulação anteriorO mais comum (≈ 60%) e o padrão pediátrico típico
IIÁpice e luxação posterioresDiáfise ulnar, angulação posteriorMais frequente no adulto/idoso; pode associar-se a fratura da cabeça do rádio
IIILuxação lateral (ou ântero-lateral)Metáfise ulnar proximalQuase exclusiva de crianças
IVLuxação anterior da cabeça do rádioFratura do rádio E da ulna no terço proximalRara; a mais complexa de reduzir e estabilizar
Tipo I Anterior · ≈60% Tipo II Posterior · idoso Tipo III Lateral · criança Tipo IV Rádio + ulna
Figura 1 — Os quatro tipos de Bado. A cabeça do rádio (vermelho) luxa na mesma direção do ápice da angulação da ulna; a linha tracejada teal é a linha radiocapitelar, que deixa de apontar para o capítulo quando há luxação.
Princípio de tratamento: no adulto, a chave é a redução anatômica e fixação rígida da ulna (placa com parafusos) — ao restaurar o comprimento e o alinhamento da ulna, a cabeça do rádio quase sempre reduz de forma espontânea e estável. Na criança, a maioria dos casos é resolvida com redução fechada e imobilização; a persistência da luxação após a redução da ulna sugere interposição (ligamento anular) e indica exploração.
Atenção — a luxação é frequentemente perdida: em toda fratura isolada da ulna, a luxação da cabeça do rádio pode passar despercebida e evoluir para luxação crônica e incapacitante. Trace sempre a linha radiocapitelar: o eixo longo do rádio deve apontar para o centro do capítulo umeral em qualquer incidência radiográfica. Se não aponta, há luxação até prova em contrário. Radiografe o cotovelo e o punho (as duas articulações) em toda fratura do antebraço.

Pontos-chave

Referências

  1. Bado JL. The Monteggia lesion. Clin Orthop Relat Res. 1967;50:71-86.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
  3. Ring D, Jupiter JB, Simpson NS. Monteggia fractures in adults. J Bone Joint Surg Am. 1998;80(12):1733-1744.

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