Conteúdo técnico-científico destinado a médicos e profissionais de saúde. Não substitui avaliação médica individualizada.
InícioMembro superior › Rádio distal

Fratura do rádio distal: Frykman, Fernández e AO

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 7 min

Epônimos, classificações e parâmetros

A fratura do rádio distal é a fratura mais comum do membro superior. Historicamente descrita por epônimos (Colles, Smith, Barton, Chauffeur), hoje é classificada por sistemas que orientam mecanismo e conduta — sobretudo Frykman, Fernández e a AO/OTA 23.

Mais importante que o rótulo é restaurar os parâmetros radiográficos da anatomia normal: inclinação radial, altura (comprimento) radial, tilt volar e variância ulnar. São eles que guiam a decisão entre tratamento conservador e cirúrgico.

Epônimos clássicos

Frykman × Fernández × AO/OTA

SistemaBaseCategorias
Frykman (I–VIII)Envolvimento articular (radiocárpica e/ou radioulnar distal) + fratura da estiloide ulnarPares ímpares = sem fratura da ulna; pares = com fratura da estiloide ulnar. I/II extra-articular; III/IV radiocárpica; V/VI radioulnar distal; VII/VIII ambas
Fernández (I–V)Mecanismo de lesãoI flexão (dobra metafisária); II cisalhamento (Barton); III compressão da superfície articular; IV avulsão/luxação (radiocarpal); V combinada / alta energia
AO/OTA 23Envolvimento articularA extra-articular; B parcial articular; C completa articular (cada uma com subgrupos 1–3)

Parâmetros radiográficos normais a restaurar

ParâmetroValor normalIncidência
Inclinação radial~22°PA (frente)
Altura / comprimento radial~11–12 mmPA (frente)
Tilt (inclinação) volar~11°Perfil
Variância ulnarneutra (± 2 mm)PA (frente)
≈22° altura ~11 mm PA (frente) inclinação e altura radial ≈11° Perfil tilt volar ~11° Colles desvio dorsal Smith desvio volar
Figura 1 — Parâmetros radiográficos do rádio distal (inclinação e altura radial na PA; tilt volar no perfil; ulna em azul) e a diferença entre o desvio dorsal (Colles) e volar (Smith).
Pérola: a decisão de reduzir/operar é guiada pelos parâmetros radiográficos. Critérios clássicos de instabilidade/indicação de redução incluem encurtamento radial > 3 mm, inclinação dorsal > 10° (perda do tilt volar) e degrau articular > 2 mm.
Atenção: a fratura de Barton é uma fratura-luxação — a instabilidade acompanha o fragmento articular e o carpo migra com ele; costuma exigir fixação com placa de suporte (buttress). Não a trate como uma Colles extra-articular simples.

Pontos-chave

Referências

  1. Frykman G. Fracture of the distal radius including sequelae. Acta Orthop Scand Suppl. 1967;108:1-153.
  2. Fernández DL. Distal radius fracture: the rationale of a classification. J Bone Joint Surg Am. 2001; review.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

Leia também em membro superior

Ver todas as classificações de membro superior →