Epônimos, classificações e parâmetros
A fratura do rádio distal é a fratura mais comum do membro superior. Historicamente descrita por epônimos (Colles, Smith, Barton, Chauffeur), hoje é classificada por sistemas que orientam mecanismo e conduta — sobretudo Frykman, Fernández e a AO/OTA 23.
Mais importante que o rótulo é restaurar os parâmetros radiográficos da anatomia normal: inclinação radial, altura (comprimento) radial, tilt volar e variância ulnar. São eles que guiam a decisão entre tratamento conservador e cirúrgico.
Epônimos clássicos
- Colles — extra-articular, com desvio dorsal do fragmento distal ("dorso de garfo").
- Smith — desvio volar ("Colles reverso").
- Barton — fratura-luxação articular marginal (dorsal ou volar) com subluxação do carpo.
- Chauffeur / Hutchinson — fratura da estiloide radial.
Frykman × Fernández × AO/OTA
| Sistema | Base | Categorias |
|---|---|---|
| Frykman (I–VIII) | Envolvimento articular (radiocárpica e/ou radioulnar distal) + fratura da estiloide ulnar | Pares ímpares = sem fratura da ulna; pares = com fratura da estiloide ulnar. I/II extra-articular; III/IV radiocárpica; V/VI radioulnar distal; VII/VIII ambas |
| Fernández (I–V) | Mecanismo de lesão | I flexão (dobra metafisária); II cisalhamento (Barton); III compressão da superfície articular; IV avulsão/luxação (radiocarpal); V combinada / alta energia |
| AO/OTA 23 | Envolvimento articular | A extra-articular; B parcial articular; C completa articular (cada uma com subgrupos 1–3) |
Parâmetros radiográficos normais a restaurar
| Parâmetro | Valor normal | Incidência |
|---|---|---|
| Inclinação radial | ~22° | PA (frente) |
| Altura / comprimento radial | ~11–12 mm | PA (frente) |
| Tilt (inclinação) volar | ~11° | Perfil |
| Variância ulnar | neutra (± 2 mm) | PA (frente) |
Pérola: a decisão de reduzir/operar é guiada pelos parâmetros radiográficos.
Critérios clássicos de instabilidade/indicação de redução incluem encurtamento radial > 3 mm,
inclinação dorsal > 10° (perda do tilt volar) e degrau articular > 2 mm.
Atenção: a fratura de Barton é uma fratura-luxação —
a instabilidade acompanha o fragmento articular e o carpo migra com ele; costuma exigir
fixação com placa de suporte (buttress). Não a trate como uma Colles extra-articular simples.
Pontos-chave
- Colles = dorsal; Smith = volar; Barton = fratura-luxação articular.
- Frykman: pares ímpares sem fratura da ulna, pares com fratura da estiloide ulnar; sobe conforme envolve radiocárpica e radioulnar distal.
- Fernández classifica pelo mecanismo (I flexão → V alta energia), útil para planejar a fixação.
- Metas radiográficas: inclinação radial ~22°, altura ~11–12 mm, tilt volar ~11°, variância ulnar neutra.
Referências
- Frykman G. Fracture of the distal radius including sequelae. Acta Orthop Scand Suppl. 1967;108:1-153.
- Fernández DL. Distal radius fracture: the rationale of a classification. J Bone Joint Surg Am. 2001; review.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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