A fratura e a classificação
A fratura da cabeça do rádio é a fratura mais comum do cotovelo no adulto, tipicamente por queda sobre a mão espalmada com o cotovelo em extensão e o antebraço em pronação. A classificação de Mason (1954) organiza a lesão pela morfologia e pelo desvio, e continua sendo a linguagem clínica de referência.
Johnston (1962) acrescentou o Tipo IV (associação com luxação do cotovelo), e Hotchkiss (1997) propôs uma modificação orientada pelo tratamento — a mais útil na decisão cirúrgica de hoje.
Os tipos de Mason (e a modificação de Hotchkiss)
| Tipo | Morfologia | Hotchkiss (tratamento) | Conduta habitual |
|---|---|---|---|
| I | Sem desvio ou desvio mínimo (< 2 mm) | Sem bloqueio mecânico à rotação | Conservador + mobilização precoce |
| II | Desviada (> 2 mm), fragmento marginal, parcial articular | Com bloqueio, mas reconstrutível | Fixação (parafusos/placa) se há bloqueio à rotação |
| III | Cominutiva, envolvendo toda a cabeça | Não reconstrutível | Artroplastia da cabeça do rádio (ou fixação se viável) |
| IV | Qualquer fratura da cabeça do rádio + luxação do cotovelo (Johnston) | — | Redução da luxação + tratar a cabeça e restaurar a estabilidade |
Associações que não se pode esquecer
- Tríade terrível do cotovelo: fratura da cabeça do rádio + fratura do processo coronoide + luxação posterolateral do cotovelo. É instável e quase sempre cirúrgica.
- Lesão de Essex-Lopresti: fratura da cabeça do rádio + ruptura da membrana interóssea + lesão da articulação radioulnar distal. Suspeite quando há dor no punho — a excisão isolada da cabeça nesse cenário causa migração proximal do rádio.
Pérola: a modificação de Hotchkiss é orientada pela decisão
cirúrgica — o que importa no Tipo II é a presença de bloqueio mecânico à rotação
(teste passar prono-supinação sob anestesia local), e no Tipo III é a
reconstrutibilidade da cabeça.
Atenção: sempre examine o punho e a estabilidade do cotovelo.
Dor no punho aponta Essex-Lopresti; instabilidade aponta tríade terrível. Nesses cenários,
não faça excisão isolada da cabeça do rádio — prefira a artroplastia, pois a
cabeça é um estabilizador secundário essencial (valgo e migração proximal).
Pontos-chave
- Tipo I: conservador com mobilização precoce (melhor resultado funcional).
- Tipo II: fixar se houver bloqueio mecânico à prono-supinação.
- Tipo III: artroplastia quando irreconstrutível — evitar excisão isolada se há instabilidade.
- Tipo IV: tratar a luxação e restaurar os estabilizadores; investigar tríade terrível.
- A cabeça do rádio é estabilizador secundário ao valgo e à migração proximal — preserve-a sempre que possível.
Referências
- Mason ML. Some observations on fractures of the head of the radius with a review of one hundred cases. Br J Surg. 1954;42(172):123-132.
- Johnston GW. A follow-up of one hundred cases of fracture of the head of the radius with a review of the literature. Ulster Med J. 1962;31(1):51-56.
- Hotchkiss RN. Displaced fractures of the radial head: internal fixation or excision? J Am Acad Orthop Surg. 1997;5(1):1-10.
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