Conteúdo técnico-científico destinado a médicos e profissionais de saúde. Não substitui avaliação médica individualizada.
InícioMembro superior › Clavícula

Fratura da clavícula: Allman e Neer

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 5 min

A fratura e as classificações

A fratura da clavícula é uma das mais comuns do adulto jovem, tipicamente por trauma direto sobre o ombro. Duas classificações se complementam: a de Allman, que divide a clavícula por terços, e a de Neer, que detalha as fraturas do terço distal conforme a relação com os ligamentos coracoclaviculares (CC — conoide e trapezoide).

Allman — grupos por terço

GrupoLocalizaçãoFrequência / observações
ITerço médioO mais comum (~80%); a maioria trata-se de forma conservadora
IITerço distal / lateral~15%; subclassificado por Neer conforme os ligamentos CC
IIITerço medial / proximalRaro (~5%); atenção à lesão mediastinal e à fise medial, que fecha tardiamente (~25 anos)

Neer — terço distal

TipoRelação com os ligamentos CCEstabilidade / conduta
IFratura entre os ligamentos CC e a AC, com ligamentos íntegrosEstável — conservador
IIMedial aos ligamentos CC (fragmento medial sem ancoragem). IIA: conoide e trapezoide intactos no fragmento lateral; IIB: conoide rotoInstável — alto risco de pseudartrose; frequentemente cirúrgico
IIIExtensão intra-articular na articulação acromioclavicularLigamentos CC intactos; sintomático a longo prazo (artrose AC)
III · medial I · médio (~80%) II · distal Allman — os três terços CC íntegros Neer I entre CC e AC · estável conoide roto Neer II medial aos CC · instável AC Neer III intra-articular (AC)
Figura 1 — Vista superior da clavícula nos três terços de Allman e detalhe dos tipos I–III de Neer do terço distal (clavícula em bege, acrômio em azul; ligamentos CC íntegros em verde, rotos em vermelho tracejado).

Conduta em linhas gerais

Pérola: no terço distal, o que define a instabilidade é a posição da fratura em relação aos ligamentos coracoclaviculares. No Neer II, o fragmento medial perde a ancoragem CC e é tracionado para cima pelo esternocleidomastóideo, enquanto o membro puxa o fragmento lateral para baixo — daí a pseudartrose.
Atenção: na fratura do terço médio com fragmento em ponta, avalie a pele em risco ("tenting" cutâneo), que pode evoluir para fratura exposta e é indicação cirúrgica. Fique atento também à rara mas grave lesão neurovascular subclávia (plexo braquial e vasos subclávios).

Pontos-chave

Referências

  1. Allman FL Jr. Fractures and ligamentous injuries of the clavicle and its articulation. J Bone Joint Surg Am. 1967;49(4):774-784.
  2. Neer CS 2nd. Fractures of the distal third of the clavicle. Clin Orthop Relat Res. 1968;58:43-50.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

Leia também em membro superior

Ver todas as classificações de membro superior →