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Classificação de Mayo: fratura do olécrano

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 5 min

A fratura do olécrano e a classificação de Mayo

O olécrano é a projeção proximal da ulna que forma a metade posterior da articulação ulnoumeral e recebe a inserção do tendão do tríceps. Por ser subcutâneo, fratura-se com facilidade em quedas diretas sobre o cotovelo. A classificação da Clínica Mayo é a mais útil na prática porque combina três variáveis que decidem o tratamento: desvio, cominuição e estabilidade da articulação ulnoumeral.

A lógica é direta: fraturas sem desvio são tratadas de forma conservadora; fraturas desviadas mas estáveis exigem osteossíntese; e fraturas desviadas com instabilidade articular são, na verdade, fraturas-luxação que precisam de reconstrução mais robusta.

A classificação de Mayo

TipoDesvio / estabilidadeSubtipoTratamento habitual
ISem desvio (≤ 2 mm), articulação estávelIA não cominutiva / IB cominutivaConservador: imobilização e mobilização precoce
IIDesviada, articulação ulnoumeral estávelIIA não cominutivaBanda de tensão (obenque)
IIDesviada, articulação ulnoumeral estávelIIB cominutivaPlaca de olécrano
IIIDesviada + instável (subluxação/luxação)IIIA não cominutiva / IIIB cominutivaPlaca e reconstrução — é uma fratura-luxação
Tipo I Sem desvio Tipo II Desvio · estável Tipo III Instável · luxação
Figura 1 — Tipos I a III de Mayo em perfil. O úmero distal aparece em azul; a seta teal indica o desvio proximal do fragmento pelo tríceps (tipo II) e a subluxação ulnoumeral que caracteriza o tipo III.
Escolha do implante: a banda de tensão (obenque com fios de Kirschner e cerclagem em oito) é ideal para fraturas transversas simples e proximais, pois converte a tração do tríceps em compressão na superfície articular. Já as fraturas cominutivas, oblíquas distais ou instáveis exigem placa (de preferência anatômica, contornando a ponta do olécrano), que mantém o comprimento e não depende da cortical volar como apoio.
Atenção: em fraturas muito proximais/cominutas ou em idosos de baixa demanda nas quais a fixação estável é inviável, uma alternativa consagrada é a excisão do fragmento com avanço do tríceps — desde que a estabilidade ulnoumeral esteja preservada (não usar se houver instabilidade, pois o coronoide e a incisura troclear sustentam a articulação). Evite a banda de tensão em fraturas cominutas: ela encurta e incongruência a articulação.

Pontos-chave

Referências

  1. Morrey BF, Sanchez-Sotelo J, Morrey ME. Morrey's The Elbow and Its Disorders. 5ª ed. Elsevier; 2018.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
  3. Cabanela ME, Morrey BF. Fractures of the olecranon. In: The Elbow and Its Disorders. Saunders; 2000.

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