A lesão e a classificação
A luxação acromioclavicular (LAC) é uma das lesões mais frequentes do ombro no adulto jovem, tipicamente por trauma direto sobre o ombro em adução (queda de bicicleta, esportes de contato). A classificação de Rockwood — consagrada no Rockwood and Green's Fractures in Adults — expandiu a antiga classificação de Tossy/Allman (I–III) para seis tipos, graduando a lesão dos ligamentos acromioclaviculares (AC) e coracoclaviculares (CC — conoide e trapezoide) e a direção do deslocamento da clavícula.
Os seis tipos
| Tipo | Lig. AC | Lig. CC | Radiografia / deslocamento | Tratamento habitual |
|---|---|---|---|---|
| I | Entorse | Íntegros | Normal | Conservador |
| II | Rotos | Entorse | Alargamento AC; distância CC pouco aumentada | Conservador |
| III | Rotos | Rotos | Elevação da clavícula 25–100% (distância CC aumentada) | Controverso — individualizar |
| IV | Rotos | Rotos | Clavícula deslocada posteriormente através do trapézio (ver axilar!) | Cirúrgico |
| V | Rotos | Rotos | Elevação 100–300%; desinserção deltotrapezoidal | Cirúrgico |
| VI | Rotos | Rotos | Clavícula deslocada inferiormente (subacromial/subcoracoide) — raro | Cirúrgico |
Como avaliar na radiografia
- Incidência de Zanca (15° cefálica, ~50% da penetração): a melhor para a articulação AC.
- Panorâmica bilateral: compara a distância coracoclavicular dos dois lados (normal: 11–13 mm).
- Axilar: obrigatória — é ela que revela o tipo IV (desvio posterior), o mais esquecido.
- Radiografias com estresse (peso) caíram em desuso na prática moderna.
Pérola de prova: a diferenciação II × III se faz pela distância coracoclavicular;
a diferenciação III × V, pelo grau de elevação (> 100%) e pela desinserção da fáscia deltotrapezoidal.
O tipo IV só aparece na axilar.
Tratamento em linhas gerais
- Tipos I e II: conservador — tipoia por conforto, analgesia, reabilitação precoce.
- Tipo III: historicamente controverso. Tendência atual: conservador no paciente comum, cirúrgico em atletas de arremesso, trabalhadores braçais pesados ou falha do tratamento conservador. O consenso ISAKOS subdivide em IIIA (estável) e IIIB (instável).
- Tipos IV, V e VI: cirúrgico — reconstrução/estabilização coracoclavicular (botão cortical duplo, enxerto tendíneo, ou fixação AC), com melhores resultados nas lesões agudas (< 3 semanas).
Referências
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
- Rockwood CA Jr, Matsen FA. The Shoulder. 5ª ed. Elsevier; 2017.
- Beitzel K, et al. ISAKOS upper extremity committee consensus statement on the Rockwood classification for AC joint injuries. Arthroscopy. 2014;30(2):271-278.
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