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Fraturas da base do polegar: Bennett e Rolando

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 4 min

Por que a base do polegar é especial

As fraturas da base do 1º metacarpo merecem atenção própria porque a articulação trapeziometacárpica é a chave da oponência do polegar — e porque músculos potentes deformam esses traços. O abdutor longo do polegar (APL) traciona o metacarpo em direção proximal, dorsal e radial, enquanto o ligamento oblíquo anterior (beak) ancora o pequeno fragmento volar-ulnar. É desse embate que nasce a deformidade de Bennett.

As fraturas se dividem em extra-articulares (melhor prognóstico) e intra-articulares — estas últimas descritas pelos epônimos clássicos Bennett e Rolando.

Classificação das fraturas da base do 1º metacarpo

PadrãoDescriçãoPrognóstico / conduta
BennettFratura-luxação intra-articular de 2 fragmentos: fragmento volar-ulnar preso pelo ligamento oblíquo anterior (beak); o restante do metacarpo é tracionado proximal/dorsal/radial pelo APLInstável — redução + fixação percutânea (fios) ou parafuso
RolandoFratura intra-articular cominutiva em T ou YPior prognóstico — fixação / fixador conforme cominuição
Extra-articularTraço transverso ou oblíquo da base, poupando a articulaçãoMelhor prognóstico — geralmente redução fechada e imobilização
Trapézio APL Fragmento volar-ulnar (beak) Bennett Rolando (T) Rolando (Y)
Figura 1 — Bennett: o fragmento volar-ulnar (vermelho) permanece ancorado pelo ligamento beak, enquanto o abdutor longo do polegar (teal) traciona o metacarpo em sentido proximal/dorsal/radial. À direita, os padrões cominutivos de Rolando em T e em Y. Trapézio em azul.
Manobra de redução de Bennett: combina tração longitudinal, abdução e pronação do polegar, com pressão sobre a base do metacarpo — o objetivo é neutralizar a tração do APL e recolocar o metacarpo sobre o fragmento beak.
A deformidade recidiva se o APL não for neutralizado: o abdutor longo do polegar mantém a subluxação; por isso a redução isolada tende a perder-se e a fixação (fios de Kirschner ou parafuso) costuma ser necessária. A incongruência articular residual predispõe à artrose trapeziometacárpica pós-traumática — reduzir bem a superfície é essencial.

Pontos-chave

Referências

  1. Bennett EH. Fractures of the metacarpal bones. Dublin J Med Sci. 1882;73:72-75.
  2. Rolando S. Fracture de la base du premier métacarpien. Presse Méd. 1910;33:303-304.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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