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Fratura do processo coronoide: Regan-Morrey e O'Driscoll

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 5 min

O processo coronoide e por que ele importa

O processo coronoide é a projeção anterior da ulna proximal que, junto com o olécrano, forma a incisura troclear. Ele é o principal estabilizador ósseo contra a instabilidade posterior do cotovelo — funciona como um batente que impede o deslocamento posterior da ulna sob a tróclea. Por isso, mesmo fragmentos pequenos podem ter grande impacto na estabilidade.

A fratura do coronoide raramente é isolada. Ela é a peça central da “tríade terrível” do cotovelo — a combinação de luxação do cotovelo, fratura da cabeça do rádio e fratura do coronoide —, um padrão notoriamente instável que exige reconhecimento e tratamento cuidadosos.

As classificações: Regan-Morrey e O'Driscoll

A classificação clássica de Regan-Morrey (1989) baseia-se na altura do fragmento na radiografia de perfil. A de O'Driscoll (2003) é anatômica e mais moderna, pois localiza a fratura (ponta, faceta anteromedial ou base) e correlaciona-se melhor com o mecanismo e a estabilidade.

SistemaTipo / localizaçãoDescriçãoRelevância
Regan-MorreyTipo IAvulsão da ponta (tip) do coronoideMenor fragmento
Tipo IIFragmento de ≤ 50% da alturaFragmento intermediário
Tipo IIIFragmento de > 50% da altura (base)Maior instabilidade
O'DriscollPonta (tip)Subtipos 1–2 conforme o tamanhoComum na tríade terrível
AnteromedialFaceta anteromedial, subtipos 1–3Ligada à instabilidade rotatória varo posteromedial
BaseEnvolve a base do coronoideCompromete a estabilidade global
Tipo I Ponta (tip) Tipo II ≤ 50% da altura Tipo III > 50% (base)
Figura 1 — Ulna proximal em perfil (olécrano superior, coronoide anterior à esquerda). Os traços vermelhos mostram, de I a III de Regan-Morrey, fragmentos crescentes do coronoide; a linha tracejada teal marca o nível de 50% da altura.
Conduta: fragmentos maiores (Regan-Morrey II/III, fraturas da base e as anteromediais de O'Driscoll) frequentemente exigem fixação — com parafuso, âncora ou laço/sutura transóssea — para restaurar o batente anterior e a estabilidade. No contexto da tríade terrível, a sequência habitual é reparar/repor o coronoide, tratar a cabeça do rádio, reinserir o complexo ligamentar lateral e, se necessário, o medial, restabelecendo um cotovelo estável para mobilização precoce.
Atenção: a fratura da faceta anteromedial de O'Driscoll, ainda que pequena, é traiçoeira: causa instabilidade rotatória varo posteromedial e, se não fixada, leva a subluxação, incongruência e artrose precoce do cotovelo. Não subestime esse fragmento com base apenas na altura — a localização anatômica é o que decide.

Pontos-chave

Referências

  1. Regan W, Morrey B. Fractures of the coronoid process of the ulna. J Bone Joint Surg Am. 1989;71(9):1348-1354.
  2. O'Driscoll SW, Jupiter JB, Cohen MS, Ring D, McKee MD. Difficult elbow fractures: pearls and pitfalls. Instr Course Lect. 2003;52:113-134.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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