O processo coronoide e por que ele importa
O processo coronoide é a projeção anterior da ulna proximal que, junto com o olécrano, forma a incisura troclear. Ele é o principal estabilizador ósseo contra a instabilidade posterior do cotovelo — funciona como um batente que impede o deslocamento posterior da ulna sob a tróclea. Por isso, mesmo fragmentos pequenos podem ter grande impacto na estabilidade.
A fratura do coronoide raramente é isolada. Ela é a peça central da “tríade terrível” do cotovelo — a combinação de luxação do cotovelo, fratura da cabeça do rádio e fratura do coronoide —, um padrão notoriamente instável que exige reconhecimento e tratamento cuidadosos.
As classificações: Regan-Morrey e O'Driscoll
A classificação clássica de Regan-Morrey (1989) baseia-se na altura do fragmento na radiografia de perfil. A de O'Driscoll (2003) é anatômica e mais moderna, pois localiza a fratura (ponta, faceta anteromedial ou base) e correlaciona-se melhor com o mecanismo e a estabilidade.
| Sistema | Tipo / localização | Descrição | Relevância |
|---|---|---|---|
| Regan-Morrey | Tipo I | Avulsão da ponta (tip) do coronoide | Menor fragmento |
| Tipo II | Fragmento de ≤ 50% da altura | Fragmento intermediário | |
| Tipo III | Fragmento de > 50% da altura (base) | Maior instabilidade | |
| O'Driscoll | Ponta (tip) | Subtipos 1–2 conforme o tamanho | Comum na tríade terrível |
| Anteromedial | Faceta anteromedial, subtipos 1–3 | Ligada à instabilidade rotatória varo posteromedial | |
| Base | Envolve a base do coronoide | Compromete a estabilidade global |
Pontos-chave
- O coronoide é o batente anterior contra a instabilidade posterior do cotovelo.
- Regan-Morrey classifica por altura: I (ponta), II (≤ 50%), III (> 50%).
- O'Driscoll é anatômica: ponta, anteromedial (varo posteromedial) e base.
- Faz parte da tríade terrível (luxação + cabeça do rádio + coronoide).
- Fragmentos maiores e a faceta anteromedial costumam exigir fixação para estabilidade.
Referências
- Regan W, Morrey B. Fractures of the coronoid process of the ulna. J Bone Joint Surg Am. 1989;71(9):1348-1354.
- O'Driscoll SW, Jupiter JB, Cohen MS, Ring D, McKee MD. Difficult elbow fractures: pearls and pitfalls. Instr Course Lect. 2003;52:113-134.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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