Conteúdo técnico-científico destinado a médicos e profissionais de saúde. Não substitui avaliação médica individualizada.
InícioMembro superior › Kienböck (Lichtman)

Doença de Kienböck: classificação de Lichtman

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro superior · Leitura de 5 min

O que é a doença de Kienböck

A doença de Kienböck é a osteonecrose (necrose avascular) do semilunar, de causa ainda não totalmente esclarecida, mas associada a fatores mecânicos e vasculares. Um dos fatores anatômicos mais citados é a variância ulnar negativa (ulna minus), que aumentaria a carga sobre o semilunar. A evolução leva a esclerose, fragmentação, colapso do osso e, por fim, artrose difusa do punho.

A classificação de Lichtman (1977) estadia a doença por imagem e é a base para a escolha terapêutica — da simples descompressão às cirurgias de salvamento.

A classificação de Lichtman

EstágioAchados de imagemConduta habitual
IRadiografia normal; RM alterada (edema/necrose)Descompressão / osteotomia de nivelamento (encurtamento do rádio se ulna minus)
IIEsclerose do semilunar, sem colapso
IIIAColapso do semilunar, sem desalinhamento do carpoNivelamento articular ± revascularização
IIIBColapso com desalinhamento: escafoide em flexão, migração proximal do capitato, altura carpal reduzidaSalvamento: artrodese intercarpal ou carpectomia da fileira proximal
IIICFratura coronal do semilunarSalvamento conforme cominuição
IVColapso + artrose difusa periescafoide e radiocárpicaArtrodese total / artroplastia
I–II Normal → esclerose II Esclerótico, sem colapso IIIA Colapso, alinhado IIIB Colapso + desalinhamento
Figura 1 — Progressão do semilunar (azul) no Kienböck: normal, esclerótico (cinza, II), colapsado sem desalinhamento (IIIA) e colapsado com desalinhamento (IIIB) — escafoide em flexão e migração proximal do capitato. Rádio e capitato em bege.
Variância ulnar: é a diferença de altura entre as superfícies articulares distais da ulna e do rádio. A variância negativa (ulna mais curta) associa-se ao Kienböck e justifica as osteotomias de encurtamento do rádio nos estágios iniciais.
Meça a variância corretamente: a variância ulnar deve ser aferida em incidência PA neutra padronizada (ombro a 90° de abdução, cotovelo a 90°, antebraço em rotação neutra). Posicionamento inadequado (pronação/supinação) altera a variância aparente e pode induzir a decisões cirúrgicas equivocadas.

Pontos-chave

Referências

  1. Lichtman DM, Mack GR, MacDonald RI, Gunther SF, Wilson JN. Kienböck's disease: the role of silicone replacement arthroplasty. J Bone Joint Surg Am. 1977;59(7):899-908.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
  3. Wolfe SW, Pederson WC, Kozin SH, Cohen MS. Green's Operative Hand Surgery. 8ª ed. Elsevier; 2022.

Leia também em membro superior

Ver todas as classificações de membro superior →