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Osteonecrose da cabeça femoral: Ficat-Arlet, Steinberg e ARCO

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 6 min

Quando a cabeça femoral perde o suprimento sanguíneo

A osteonecrose (necrose avascular) da cabeça femoral resulta da interrupção do aporte sanguíneo ao osso subcondral, que evolui para morte trabecular, colapso e artrose secundária. Acomete tipicamente adultos jovens e o prognóstico depende de reconhecer a doença antes do colapso. Três sistemas são usados na prática: Ficat-Arlet (o clássico, baseado na radiografia), Steinberg (Pennsylvania), que acrescenta a quantificação da área envolvida, e o ARCO, que unifica os critérios de imagem modernos.

Reconhecer os fatores de risco — corticoide, álcool, trauma (luxação/fratura do colo), anemia falciforme, doença de Gaucher e o mergulho (doença de Caisson) — ajuda a solicitar a ressonância magnética precocemente, quando a radiografia ainda é normal.

As classificações comparadas

EstágioFicat-ArletSteinberg (Pennsylvania)ARCO (revisão 2019)
0Pré-clínico: radiografia e sintomas normaisExames de imagem normaisTodos os exames normais (suspeita clínica)
IRadiografia normal; RM/cintilografia alterada; pode haver dorRM/cintilografia alterada, radiografia normalRadiografia normal; alteração na RM
IIEsclerose e/ou cistos; sem colapso (contorno preservado)Esclerose/cistos; sem colapso — com quantificação da áreaRadiografia alterada (esclerose/cisto); sem colapso subcondral
IIISinal do crescente / colapso subcondral; cabeça achatadaColapso subcondral (crescente) e achatamento, quantificadosColapso subcondral (crescente), subdividido em precoce e tardio
IVEstreitamento articular e artrose secundáriaArtrose com acometimento acetabularOsteoartrite (artrose secundária)
O diferencial de Steinberg: em cada estágio, quantifica a área da cabeça envolvida — A (< 15%), B (15–30%) e C (> 30%) — informação prognóstica que os outros sistemas não detalhavam originalmente.
Normal Estágio 0 / I II Esclerose, sem colapso III Crescente / colapso IV Artrose secundária
Figura 1 — Evolução da cabeça femoral: normal (0/I), esclerose sem colapso (II), sinal do crescente com colapso subcondral (III, em vermelho) e artrose secundária com estreitamento articular (IV, linha teal representando o acetábulo).
Atenção: o divisor de águas prognóstico e terapêutico é o colapso subcondral (sinal do crescente, estágio III). Antes dele (I/II) há chance de preservar a cabeça com descompressão do núcleo, associada ou não a enxerto/terapias biológicas. Depois do colapso (III/IV) o tratamento tende à artroplastia total do quadril. Solicitar RM precocemente em pacientes de risco é o que permite intervir na janela pré-colapso.

Pontos-chave

Referências

  1. Ficat RP. Idiopathic bone necrosis of the femoral head: early diagnosis and treatment. J Bone Joint Surg Br. 1985;67(1):3-9.
  2. Steinberg ME, Hayken GD, Steinberg DR. A quantitative system for staging avascular necrosis. J Bone Joint Surg Br. 1995;77(1):34-41.
  3. Yoon BH, Mont MA, Koo KH, et al. The 2019 revised version of Association Research Circulation Osseous (ARCO) staging system of osteonecrosis of the femoral head. J Arthroplasty. 2020;35(4):933-940.

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