Uma região de altíssimo estresse mecânico
A fratura subtrocantérica ocorre na zona entre o trocânter menor e um ponto ~5 cm distal a ele — região onde as forças de compressão medial e de tração lateral são máximas. A classificação de Seinsheimer organiza as fraturas pelo número de fragmentos e pela geometria do traço.
A classificação de Russell-Taylor é complementar e voltada à decisão do implante, avaliando o envolvimento do trocânter menor e da fossa piriforme.
Classificação de Seinsheimer
| Tipo | Descrição |
|---|---|
| I | Não desviada ou desvio < 2 mm |
| II | Dois fragmentos: IIA transverso; IIB espiral com trocânter menor no fragmento proximal; IIC espiral com trocânter menor no fragmento distal |
| III | Três fragmentos: IIIA com fragmento do trocânter menor; IIIB com fragmento da borda lateral |
| IV | Cominutiva (≥ 4 fragmentos) |
| V | Padrão subtrocantérico-intertrocantérico |
Pérola: o fragmento proximal é puxado em flexão, abdução e rotação externa.
A tendência é o varo e a flexão — a redução precisa neutralizar essas forças, e a
haste cefalomedular é o implante de escolha.
Armadilha: fratura subtrocantérica de traço transverso na cortical lateral,
com cortical espessada e dor prodrômica, sugere fratura atípica por bisfosfonato —
investigar o uso da medicação e avaliar o fêmur contralateral.
Pontos-chave
- Zona de máximo estresse mecânico — alto risco de varo e falha se a redução for inadequada.
- Haste cefalomedular é o padrão; evitar redução em varo.
- Russell-Taylor orienta a escolha da haste pelo envolvimento do trocânter menor e da fossa piriforme.
- Pensar em fratura atípica (bisfosfonato) no traço transverso lateral.
Referências
- Seinsheimer F. Subtrochanteric fractures of the femur. J Bone Joint Surg Am. 1978;60(3):300-306.
- Russell TA, Taylor JC. Subtrochanteric fractures of the femur. In: Skeletal Trauma. 1992.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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