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Fratura do tornozelo: Weber (AO) e Lauge-Hansen

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 7 min

A fratura do tornozelo e o papel da sindesmose

A fratura do tornozelo é uma das lesões do aparelho locomotor mais frequentes no adulto. A classificação de Weber (AO/Danis-Weber) organiza as fraturas pela altura do traço na fíbula em relação à sindesmose tibiofibular distal — referência anatômica que prediz a integridade sindesmótica e, portanto, a estabilidade. Quanto mais alta a fratura, maior a probabilidade de lesão da sindesmose e da membrana interóssea.

Weber é uma leitura morfológica (na radiografia) e correlaciona-se com o segmento maleolar da AO/OTA (44-A, 44-B, 44-C). A classificação de Lauge-Hansen, por sua vez, é mecanicista: combina a posição do pé no momento do trauma com a direção da força deformante, explicando o padrão sequencial de lesões.

A classificação de Weber

TipoNível da fratura da fíbulaSindesmoseEstabilidadeConduta habitual
AInfrassindesmal (abaixo da sindesmose)ÍntegraGeralmente estávelConservador (gesso/bota) na maioria; cirurgia se houver componente medial instável
BTranssindesmal (ao nível da sindesmose, traço espiral)Lesão variável (avaliar)Variável — depende da coluna medialConservador se estável; fixação se desviada/instável ou lesão medial
CSuprassindesmal (acima da sindesmose)Rota (sindesmose e membrana interóssea)InstávelCirúrgico: fixação da fíbula ± parafuso/sutura sindesmótica

A fratura de Maisonneuve é uma variante suprassindesmal (padrão Weber C) em que o traço da fíbula é alto, na fíbula proximal, com ruptura extensa da membrana interóssea e da sindesmose — frequentemente acompanhada de lesão do maléolo medial ou do ligamento deltoide.

Lauge-Hansen — o mecanismo

Weber A Infrassindesmal Weber B Transsindesmal Weber C Suprassindesmal
Figura 1 — Vista AP do tornozelo. A linha tracejada teal representa a sindesmose; o traço vermelho sobe de A (baixo) para C (alto). A fíbula é o osso lateral (bege); a tíbia, medial (azul).
Avalie sempre a coluna medial: o maléolo medial e o ligamento deltoide são o pilar de estabilidade. Uma fratura isolada do maléolo lateral com lesão do deltoide comporta-se como uma lesão bimaleolar equivalente. Sinais de alarme incluem alargamento do espaço claro medial (> 4 mm) e dor/edema mediais desproporcionais. O teste de estabilidade (gravity stress ou estresse em rotação externa) ajuda a decidir entre conduta conservadora e cirúrgica no Weber B.
Atenção: uma fratura isolada do maléolo lateral pode ser instável quando há lesão medial (deltoide) associada. Não classifique estabilidade apenas pela fíbula — examine a coluna medial e faça o teste de estresse antes de indicar tratamento não cirúrgico.

Pontos-chave

Referências

  1. Weber BG. Die Verletzungen des oberen Sprunggelenkes. Bern: Verlag Hans Huber; 1966.
  2. Lauge-Hansen N. Fractures of the ankle II: combined experimental-surgical and experimental-roentgenologic investigations. Arch Surg. 1950;60(5):957-985.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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