A luxação do quadril é uma emergência
A luxação traumática do quadril resulta quase sempre de trauma de alta energia (o clássico impacto do joelho contra o painel do carro). Cerca de 90% são posteriores. A classificação de Thompson-Epstein descreve a luxação posterior conforme a fratura associada da parede/assoalho do acetábulo e da cabeça femoral.
O ponto central não é o número, e sim o tempo até a redução: quanto maior o intervalo, maior o risco de necrose avascular da cabeça femoral.
Classificação de Thompson-Epstein (luxação posterior)
| Tipo | Descrição |
|---|---|
| I | Luxação com ou sem pequeno fragmento (mínima fratura) |
| II | Com fragmento único grande da parede posterior |
| III | Com cominuição da parede posterior |
| IV | Com fratura do assoalho (fundo) do acetábulo |
| V | Com fratura da cabeça femoral (sobrepõe-se a Pipkin) |
A apresentação clínica clássica da luxação posterior é o membro em flexão, adução e rotação interna, encurtado. A luxação anterior (mais rara) mantém o quadril em abdução e rotação externa.
Pérola: reduza o mais rápido possível (idealmente < 6 horas) sob
sedação/anestesia. Após a redução, faça TC para procurar fragmentos intra-articulares
e avaliar a congruência e a estabilidade.
Armadilha: documente a função do nervo ciático antes e depois da
redução (a lesão ocorre em até 10–20% das posteriores). Uma cabeça que não reduz de forma concêntrica
pode ter fragmento interposto — não insista em manobras fechadas repetidas.
Pontos-chave
- 90% são posteriores: membro em flexão, adução e rotação interna.
- Redução urgente reduz o risco de necrose avascular — o tempo é o fator prognóstico-chave.
- TC pós-redução é obrigatória (fragmentos, congruência, fratura da cabeça = tipo V/Pipkin).
- Avaliar e registrar o nervo ciático.
Referências
- Thompson VP, Epstein HC. Traumatic dislocation of the hip. J Bone Joint Surg Am. 1951;33:746-778.
- Epstein HC. Posterior fracture-dislocations of the hip. J Bone Joint Surg Am. 1974;56:1103-1127.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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