A articulação tarsometatársica
A lesão de Lisfranc compromete a articulação tarsometatársica — a junção entre o médio e o antepé. A estabilidade depende da base do 2º metatarso, encaixada como pedra angular (keystone) entre os cuneiformes, e do ligamento de Lisfranc (do cuneiforme medial à base do 2º metatarso). As classificações de Hardcastle e Myerson descrevem o padrão de desvio.
Padrões (Hardcastle / Myerson)
| Padrão | Descrição |
|---|---|
| Homolateral | Todos os metatarsos desviam na mesma direção (em geral lateral) |
| Isolado | Um ou dois metatarsos deslocados, os demais alinhados |
| Divergente | 1º metatarso desvia medial e os demais lateral (± lesão do cuneiforme) |
Pérola radiográfica: a borda medial da base do 2º metatarso deve alinhar-se com a borda
medial do cuneiforme intermédio. Diástase > 2 mm entre a base do 1º e do 2º metatarso ou o
fleck sign confirmam a lesão. Radiografias com carga ou comparativas
revelam lesões sutis.
Armadilha: até 20% das lesões de Lisfranc passam despercebidas na radiografia
sem carga. Suspeite fortemente em dor no médiopé, equimose plantar e
incapacidade de apoiar o peso — investigue com carga ou TC.
Pontos-chave
- A base do 2º metatarso (keystone) e o ligamento de Lisfranc são a chave da estabilidade.
- Fleck sign e diástase > 2 mm indicam instabilidade.
- Instável → redução anatômica e fixação (parafusos/placa) ou artrodese primária nas cominutivas.
- Equimose plantar é sinal de alerta.
Referências
- Hardcastle PH, Reschauer R, Kutscha-Lissberg E, Schoffmann W. Injuries to the tarsometatarsal joint. J Bone Joint Surg Br. 1982;64(3):349-356.
- Myerson MS, Fisher RT, Burgess AR, Kenzora JE. Fracture dislocations of the tarsometatarsal joints. Foot Ankle. 1986;6(5):225-242.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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