Quantificar a cominuição para planejar a haste
A fratura diafisária do fêmur é tratada, na esmagadora maioria dos casos, com haste intramedular bloqueada. A classificação de Winquist-Hansen gradua o grau de cominuição — quantidade de fragmento cortical e contato entre os fragmentos principais — porque é isso que define a necessidade e o tipo de bloqueio (travamento) da haste.
Os graus de cominuição
| Grau | Cominuição | Contato cortical |
|---|---|---|
| 0 | Ausente (traço simples) | Total |
| I | Fragmento pequeno (< 25% da largura) | Preservado |
| II | Fragmento de 25–50% da largura | ≥ 50% de contato entre os principais |
| III | Fragmento de 50–75% da largura | < 50% de contato |
| IV | Cominuição circunferencial | Ausente (sem contato) |
Pérola: quanto maior a cominuição, menor o contato cortical e maior a instabilidade
axial e rotacional — daí a necessidade de bloqueio estático
(proximal e distal) para manter comprimento e rotação.
Armadilha: em graus III e IV o bloqueio estático é obrigatório.
O erro mais comum é a deformidade rotacional e o encurtamento — confira a rotação
comparando com o membro contralateral no intraoperatório.
Pontos-chave
- A classificação orienta a necessidade de travamento da haste intramedular.
- Graus 0–I podem tolerar bloqueio dinâmico; II–IV exigem bloqueio estático.
- Controlar rotação e comprimento é o desafio nas cominutivas.
Referências
- Winquist RA, Hansen ST Jr, Clawson DK. Closed intramedullary nailing of femoral fractures. J Bone Joint Surg Am. 1984;66(4):529-539.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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