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Fratura do pilão tibial: Rüedi-Allgöwer

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 5 min

O pilão tibial: osso e partes moles

A fratura do pilão tibial (plafond) acomete a superfície articular distal da tíbia, tipicamente por carga axial de alta energia (queda de altura, acidente automobilístico). A classificação de Rüedi-Allgöwer gradua o desvio e a cominuição da superfície articular.

Mais do que o padrão ósseo, é a lesão de partes moles que determina as complicações — e ela dita o momento da cirurgia definitiva.

Classificação de Rüedi-Allgöwer

TipoSuperfície articularCominuição
IFratura articular sem desvio significativoAusente/mínima
IIDesvio articular significativo (incongruência)Sem cominuição importante
IIICominuição e impactação metafisária-articularGrave — pior prognóstico

Correlaciona-se com a AO/OTA 43 (B parcial articular, C completa articular).

I Sem desvio II Incongruência III Cominuição / impactação
Figura 1 — Pilão tibial (tíbia distal em bege, tálus em azul): sem desvio (I), incongruência articular (II) e cominuição/impactação (III).
Pérola — estratégia estagiada: na alta energia, faz-se primeiro fixador externo em ponte (± fixação da fíbula) para ligamentotaxia e repouso das partes moles; a osteossíntese definitiva (placa) só depois que o edema regride, geralmente 7–21 dias, quando reaparece a ruga cutânea ("wrinkle sign").
Armadilha: operar precocemente por via aberta um pilão de alta energia com partes moles comprometidas leva a taxas altíssimas de deiscência e infecção. Respeite o envelope de partes moles — o osso espera.

Pontos-chave

Referências

  1. Rüedi TP, Allgöwer M. The operative treatment of intra-articular fractures of the lower end of the tibia. Clin Orthop Relat Res. 1979;(138):105-110.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, et al. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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