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Fratura do anel pélvico: Tile e Young-Burgess

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 7 min

O anel pélvico e o conceito de estabilidade

A fratura do anel pélvico é uma lesão potencialmente fatal, com espectro que vai da avulsão benigna à desagregação instável associada a choque hemorrágico. Duas classificações se complementam: Tile (base da AO), que organiza pela estabilidade, e Young-Burgess, que organiza pelo mecanismo de trauma.

O princípio que une ambas: é a integridade do anel posterior (sacro, articulações sacroilíacas e seus ligamentos) que determina a estabilidade. Lesões anteriores isoladas (sínfise, ramos) raramente são instáveis se o complexo posterior está preservado.

Tile × Young-Burgess

TileEstabilidadeAnel posteriorCorrelação Young-Burgess
AEstávelÍntegroAvulsões, fratura de asa do ilíaco, ramos isolados
BParcialmente estável (instabilidade rotacional, vertical estável)Parcialmente lesadoB1 = APC (“livro aberto”); B2 = LC (compressão lateral)
CInstável (rotacional e vertical)Completamente rotoVS (cisalhamento vertical); APC III

Young-Burgess descreve a força deformante e gradua a energia:

APC Livro aberto (sínfise alargada) LC Compressão lateral VS Cisalhamento vertical
Figura 1 — Anel pélvico em AP. APC: abertura em “livro aberto” com sínfise alargada. LC: compressão lateral com rotação interna. VS: desvio cranial (vertical) de uma hemipelve.
Estabilidade é posterior: a chave prognóstica é o complexo posterior (sacro e articulações sacroilíacas). Um “livro aberto” parcial (APC I/II) mantém os ligamentos sacroilíacos posteriores íntegros e é rotacionalmente instável, mas verticalmente estável (Tile B). Quando o complexo posterior se rompe por completo (APC III, VS), a pelve torna-se instável nos dois planos (Tile C).
Emergência: fratura pélvica instável + choque exige ação imediata. Nos padrões APC III e VS há risco de sangramento maciço do plexo venoso pré-sacral e das artérias ilíacas internas. Aplique a cinta pélvica (binder) na altura dos trocânteres para reduzir o volume e acione o protocolo de hemorragia (transfusão maciça, angioembolização e/ou packing pré-peritoneal).

Pontos-chave

Referências

  1. Tile M. Pelvic ring fractures: should they be fixed? J Bone Joint Surg Br. 1988;70(1):1-12.
  2. Burgess AR, Eastridge BJ, Young JWR, et al. Pelvic ring disruptions: effective classification system and treatment protocols. J Trauma. 1990;30(7):848-856.
  3. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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