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Fratura periprotética do fêmur: classificação de Vancouver

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 6 min

A fratura ao redor da prótese

A fratura periprotética do fêmur ocorre ao redor de uma haste de artroplastia do quadril e tornou-se cada vez mais comum com o envelhecimento populacional e o aumento das artroplastias. A conduta não depende apenas da linha de fratura, mas sobretudo do comportamento da prótese. A classificação de Vancouver (Duncan e Masri, 1995) organiza a decisão a partir de três fatores: o local da fratura, a estabilidade da haste e a qualidade do estoque ósseo.

Seu grande mérito é traduzir o intraoperatório em conduta: o que separa uma osteossíntese de uma revisão da haste é, quase sempre, saber se a haste continua bem fixada ao osso.

A classificação de Vancouver

TipoLocalEstabilidade da hasteEstoque ósseoTratamento habitual
ARegião trocantérica (AG = trocânter maior; AL = trocânter menor)Não afetadaBomGeralmente conservador; fixação se desvio significativo ou instabilidade
B1Ao redor ou logo distal à ponta da hasteEstávelBomFixação com placa e/ou cerclagem (haste preservada)
B2Ao redor ou logo distal à ponta da hasteInstável (solta)BomRevisão da haste, geralmente haste longa não cimentada
B3Ao redor ou logo distal à ponta da hasteInstável (solta)PobreRevisão com haste de fixação distal, enxerto estruturado ou prótese tumoral/de substituição
CBem distal à ponta da hasteNão afetadaVariávelTratar como fratura isolada; a haste não interfere
A Trocantérica B1 Haste estável B2 / B3 Haste instável (solta) C Distal à haste
Figura 1 — Tipos de Vancouver. A (trocantérica), B ao redor da ponta da haste com haste estável (B1) ou solta (B2/B3, tracejado indicando a interface óssea comprometida) e C distal à haste. O retângulo azul representa a haste da prótese.
Conceito-chave: no tipo B, quem decide a conduta é a estabilidade da haste, não apenas a linha de fratura. Haste estável (B1) permite osteossíntese com placa/cerclagem; haste solta (B2/B3) exige revisão. Na dúvida entre B1 e B2, avalie a fixação da haste no intraoperatório antes de definir a estratégia.
Atenção: subestimar a soltura da haste — tratar um B2 como se fosse B1, apenas com placa — leva à falha da fixação e à necessidade de reoperação. Sempre confirme a estabilidade da haste antes de optar por osteossíntese isolada; sinais radiográficos de soltura ou dor prévia à fratura devem aumentar a suspeita.

Pontos-chave

Referências

  1. Duncan CP, Masri BA. Fractures of the femur after hip replacement. Instr Course Lect. 1995;44:293-304.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
  3. Brady OH, Garbuz DS, Masri BA, Duncan CP. The reliability and validity of the Vancouver classification of femoral fractures after hip replacement. J Arthroplasty. 2000;15(1):59-62.

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