Schatzker: energia crescente no planalto tibial
A classificação de Schatzker (1979) organiza as fraturas do planalto tibial em seis tipos, em ordem crescente de energia do trauma e de gravidade. A regra prática é simples: quanto maior o número, maior a energia envolvida e pior o prognóstico.
Os tipos I a III acometem o planalto lateral; o tipo IV envolve o planalto medial (sinal de alta energia); e os tipos V e VI são bicondilares, sendo o VI marcado pela dissociação entre metáfise e diáfise.
Os seis tipos de Schatzker
| Tipo | Descrição | Perfil típico |
|---|---|---|
| I | Cisalhamento (split) puro do planalto lateral | Jovem, osso denso; sem depressão |
| II | Split com depressão lateral | O mais comum |
| III | Depressão pura da superfície lateral | Idoso/osteoporótico |
| IV | Planalto medial | Alta energia; associação com luxação do joelho e lesão neurovascular/ligamentar |
| V | Bicondilar (medial + lateral) | Alta energia |
| VI | Planalto com dissociação metáfise–diáfise | Alta energia; cominuição |
Lesões associadas
- Partes moles articulares: lesões de menisco e do ligamento cruzado anterior (LCA) são frequentes, sobretudo nos padrões laterais.
- Alta energia (IV, V e VI): risco de síndrome compartimental e de lesão da artéria poplítea; o tipo IV, em particular, pode representar um equivalente de luxação do joelho, com risco neurovascular.
Pérola: a tomografia computadorizada é essencial no planejamento — define a
depressão articular, o número de fragmentos e as "colunas" acometidas, orientando as vias de acesso e a
necessidade de enxerto sob a superfície deprimida.
Atenção: Schatzker IV (medial) e os padrões V/VI têm alto risco
de lesão vascular e de síndrome compartimental. Examine e documente
pulsos distais e a tensão dos compartimentos na admissão e de forma seriada —
dor desproporcional e dor à extensão passiva são sinais de alerta.
Pontos-chave
- Quanto maior o número, maior a energia e pior o prognóstico.
- I–III: planalto lateral (II é o mais comum; III no osso osteoporótico).
- IV: planalto medial — alta energia, pensar em luxação e lesão neurovascular.
- V e VI: bicondilares; VI com dissociação metáfise–diáfise.
- TC guia o planejamento; nos IV/V/VI, vigiar pulsos e compartimentos.
Referências
- Schatzker J, McBroom R, Bruce D. The tibial plateau fracture: the Toronto experience 1968–1975. Clin Orthop Relat Res. 1979;(138):94-104.
- Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.
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