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Classificação de Pipkin: fratura da cabeça femoral

Dr. André Peixoto Dr. André Peixoto · Membro inferior e pelve · Leitura de 5 min

A fratura escondida na luxação do quadril

A fratura da cabeça femoral ocorre quase sempre associada a uma luxação do quadril, tipicamente posterior, pelo mecanismo do painel (dashboard injury) — o joelho fletido bate no painel e transmite a força pelo fêmur. A classificação de Pipkin (1957) organiza essas fraturas conforme a relação do traço com a fóvea (inserção do ligamento redondo) e a associação com fratura do colo femoral ou do acetábulo. A referência anatômica é essencial: fragmentos abaixo da fóvea não sustentam carga; acima dela, sim.

A classificação de Pipkin

TipoDescriçãoPrognóstico / conduta
IFratura inferior à fóvea (abaixo da inserção do ligamento redondo); fragmento fora da zona de cargaMelhor prognóstico; excisão de pequenos fragmentos ou fixação se grande
IIFratura superior à fóvea; envolve a zona de carga da cabeçaPior que o tipo I; tende à fixação anatômica do fragmento
IIIPipkin I ou II + fratura do colo femoralPéssimo prognóstico; alto risco de necrose avascular
IVPipkin I ou II + fratura do acetábuloAvaliar estabilidade acetabular; conduta combinada
fóvea Tipo I infrafoveal Tipo II suprafoveal (carga) Tipo III + colo femoral Tipo IV + acetábulo
Figura 1 — Classificação de Pipkin. O ponto teal marca a fóvea; o traço vermelho abaixo dela caracteriza o tipo I e acima o tipo II. Os tipos III e IV associam fratura do colo femoral e do acetábulo, respectivamente.

Conduta em resumo

Por que a fóvea importa: a inserção do ligamento redondo divide a cabeça em uma porção inferomedial que não sustenta peso e uma porção superolateral de carga. Fraturas que poupam a zona de carga (tipo I) toleram melhor a excisão do fragmento; as que a envolvem (tipo II) exigem reconstrução anatômica da superfície articular.
Emergência ortopédica: a luxação do quadril deve ser reduzida o mais rápido possível — o tempo até a redução é o principal fator modificável do risco de necrose avascular da cabeça femoral. Documente sempre a função do nervo ciático antes e depois da redução e obtenha TC pós-redução para excluir fragmentos intra-articulares e incongruência.

Pontos-chave

Referências

  1. Pipkin G. Treatment of grade IV fracture-dislocation of the hip. J Bone Joint Surg Am. 1957;39(5):1027-1042.
  2. Tornetta P, Ricci WM, Court-Brown CM, McQueen MM, McKee M. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Wolters Kluwer; 2019.

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